Mutirão Cirúrgico devolve a autoestima às vítimas de escalpelamento
Desde o ano passado, o governador Camilo Capiberibe tomou a decisão de apoiar a luta e criar alternativas para o resgate da fisionomia, autoestima e da própria vida das mulheres (Foto: Márcia do Carmo)
O governador Camilo Capiberibe e a deputada federal Janete Capiberibe reuniram-se nesta sexta-feira, 17, com a equipe médica que veio ao Amapá participar voluntariamente do Mutirão de Cirurgias Reparadoras e demais parceiros da iniciativa. O mutirão iniciou no período da tarde desta sexta e segue até este sábado, 18, nos hospitais São Camilo e Alberto Lima para operar 38 vítimas de escalpelamento. A jornalista Mara Régia, da Rádio Nacional da Amazônia, fez a entrega simbólica dos cabelos arrecadados durante a campanha que está mobilizando toda a região.
O mutirão é fruto da sensibilização que iniciou com a repercussão nacional das tragédias que acontecem com muitas mulheres da Amazônia. Elas comumente são vítimas de acidentes causados quando o cabelo fica preso no eixo do motor das embarcações. A tragédia atinge principalmente as mulheres por ser delas a tarefa de tirar a água do interior dos barcos e terem os cabelos longos. Elas perdem não somente o cabelo, mas também sobrancelhas e até orelhas, o que as deixa deformadas fisicamente e atingem seu emocional, com a discriminação que ainda sofrem.
O assunto virou notícia no Congresso Nacional quando a deputada Janete Capiberibe aprovou a Lei que obriga que proprietários de embarcações cubram o eixo do motor e tomem outros cuidados preventivos. As mulheres escalpeladas ganharam espaço na mídia e a partir daí o Brasil conheceu a triste história das amazônidas. Desde o ano passado, o governador Camilo Capiberibe tomou a decisão de apoiar a luta e criar alternativas para o resgate da fisionomia, autoestima e da própria vida das mulheres.
Por meio das secretarias de Estado da Saúde (Sesa) e da Inclusão e Mobilização Social (SIMS), foram criadas estratégias de acolhimento e contatos para que as parcerias fossem formalizadas. A Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), Associação de Mulheres Ribeirinhas Vítimas de Escalpelamento e Defensoria Pública da União (DPU) se uniram ao Governo do Estado do Amapá (GEA) para que o mutirão se tornasse realidade.
No primeiro semestre deste ano, uma equipe de 42 médicos de todo o Brasil veio para a primeira etapa do mutirão, a de avaliação, em seguida o Estado trabalhou a inclusão das pacientes em programas sociais e inserção no mercado de trabalho e agora, na última etapa, os médicos estão realizando as cirurgias em 38 mulheres que tiveram a avaliação positiva.
Durante um encontro na noite desta sexta-feira, Luciano Ornelas, da SBCP, relatou os desafios e felicidade em participar do mutirão. \"Quando começamos a nos envolver com a causa, sabíamos que não seria fácil, mas é um desafio que nos faz crescer. Viemos de coração aberto, dá felicidade e fazer o bem. Reconhecemos o trabalho do governo do Estado, que é sério, e estamos aqui para somar. É uma contribuição cirúrgica, científica e humanitária\", disse. Os profissionais vieram com todas as despesas pagas pelo GEA.
\"Estamos empenhados para que estas mulheres tenham não somente o aspecto físico transformado, mas também a autoestima. Agradecemos a todos que estão contribuindo para que os objetivos sejam cumpridos. Todos estão fazendo a sua parte, médicos, governo e sociedade. Após as cirurgias, o Estado vai continuar acompanhando as pacientes\", ressaltou o governador Camilo Capiberibe. Depois das cirurgias, as mulheres começam a entrar no próximo processo, onde entram em cena as perucas que serão confeccionadas com os cabelos arrecadados.
Os especialistas passam o dia deste sábado nos dois hospitais onde acontecem as cirurgias.
Mariléia Maciel/Secom
Assessora de Comunicação Social
Secretaria de Estado da Comunicação Social